O meu
isso-que-não-se-pode-nomear
é parco
disco riscado
de tudo que não foi
nomeado
por todos que não souberam
falar.
Mas
dói
neste instante
particular.
Que besta é meu verso
apertado
que só repete
as mãos atadas
diante do abraço
não dado
Das lembranças
mal caladas.
E para afrouxar o peito
veste as palavras
- assim -
amarradas.
domingo, 20 de janeiro de 2013
De onde vem a vida? Se metas se concretizam, ou quase, e nada. Se tentamos coisas novas, e na hora de tentar o medo já é menor e não é grandes coisas. Ou cresceu, e nos paraliza diante de um detalhe. E aí nada é novo, porque o medo vem quase no DNA. A vida vem, então, de um detalhe ainda mais besta.
A dor que vem de uma pancada no cotovelo lembra o corpo de que algumas dores vem de fora, do asfalto e do barro e do descuido. Nem todas são um apêndice necrosando em silêncio, um silêncio necrosando em silêncio.
A vida vem do prazer que é levar uma pancada.
sábado, 8 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Pequeno problema filosófico durante um almoço tardio
Mesmo que por um
dia
Eu queria ser simples
Levantar de manhã e dormir à
noite
Fazer o que tem
que ser feito
Chorar o triste, sorrir o alegre
Gargalhar sem qualquer maldade
Me apaixonar direito
Com
Começo, meio e fim
Sem
Mistério
Ou ao menos sem debate sobre o mistério
Eu queria acordar um dia - de manhã - e saber deixar o mistério ser
Eu queria deixar ele sem o estorvo das palavras
Eu queria ser sem o estorvo das palavras
Mas aí eu nunca poderia dizer que
fui simples
Nunca poderia dizer que fui
dia
Eu queria ser simples
Levantar de manhã e dormir à
noite
Fazer o que tem
que ser feito
Chorar o triste, sorrir o alegre
Gargalhar sem qualquer maldade
Me apaixonar direito
Com
Começo, meio e fim
Sem
Mistério
Ou ao menos sem debate sobre o mistério
Eu queria acordar um dia - de manhã - e saber deixar o mistério ser
Eu queria deixar ele sem o estorvo das palavras
Eu queria ser sem o estorvo das palavras
Mas aí eu nunca poderia dizer que
fui simples
Nunca poderia dizer que fui
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Eu vou dizer o óbvio
Do quarto que sem suas
coisas é
só espaço
Do sabonete que sem seu
uso é
só tempo
Da minha presença que sem a
sua é
só.
Eu vou dizer o óbvio
Você é presença em
negativo
É a malha que tem seu
cheiro
É o cheiro que tem seu
nome
É o nome que tem meu
apelo
Eu vou dizer o óbvio.
Eu jamais poderia dizer você.
Do quarto que sem suas
coisas é
só espaço
Do sabonete que sem seu
uso é
só tempo
Da minha presença que sem a
sua é
só.
Eu vou dizer o óbvio
Você é presença em
negativo
É a malha que tem seu
cheiro
É o cheiro que tem seu
nome
É o nome que tem meu
apelo
Eu vou dizer o óbvio.
Eu jamais poderia dizer você.
sábado, 20 de agosto de 2011
Me preguntaron hoy la dirección
A mi, que en la vida siempre fui
turista
Y así tuve que
poder
contestar.
Qué curioso eso de
a veces
saber dónde está el
beso
el
aire
el
camino.
turista
Y así tuve que
poder
contestar.
Qué curioso eso de
a veces
saber dónde está el
beso
el
aire
el
camino.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Unheimlich
Eu não falo a língua dessa gente
nem
Eles
a minha.
Mas
- a minha -
porque a do meu país
que se fala em
- formulários, procedimentos, responsáveis, datas, adiamentos -
eles falam
perfeitamente.
nem
Eles
a minha.
Mas
- a minha -
porque a do meu país
que se fala em
- formulários, procedimentos, responsáveis, datas, adiamentos -
eles falam
perfeitamente.
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