terça-feira, 31 de maio de 2011

Je ne comprends pas

mas eu guardo
como uma canção.

domingo, 29 de maio de 2011

Je ne comprends pas la vérité

que deve haver no
seu

dicionário.

domingo, 3 de abril de 2011

Di Sarli

Se brincando num piano
- miudinha -
não me faço clara

Se o passar esquivo do violão se faz
- sem pudor -
Guitarra

Lembro logo que
não sei de
nada

E que pra rasgar o peito vivo
como manda a canção

Só mesmo o susto
do som
- violento -

De um bandoneón

domingo, 27 de março de 2011

pequena poesia

que as palavras são
parcas

as lembranças são
prova

e só me ocorre esgueirar uma
dúvida sem
fim

numa pergunta sem demora

- E agora?

sábado, 19 de março de 2011

Das companhias acéticas de amor II

Tem sempre uma japonesa no amor dos outros. Vai ver é porque elas são exatas, nem todas. Umas são bagunçadas e espinhentas como o resto de nós - nem todo. Mas como povo elas parecem ser exatas, o objeto perfeito para se desejar. Elas todas usam saias e têm um jeito de usar as saias que é como se não tivessem de saia - mas é essencial que estejam. Todo desejo já pousou vez ou outra na saia de uma japonesa. Toda imaginação, vez ou outra, debaixo. E cada cabelo ocupa seu lugar preciso, uma ordem perfeita - desordem ainda mais. Cada movimento é preciso. Podem ser precisas de controle, mas nas pernas perfeitas e no rosto sem marcas são leves e impassíveis como só pode quem sabe que tem sempre alguém se perdendo por elas. Sempre alguém batendo uma punheta ou vendendo a casa por elas. Mas o que eu queria mesmo saber é por quem se perdem as japonesas.

sábado, 12 de março de 2011

Das companhias acéticas de amor I

Acordei com vontade de, pensou um velho. Um velho qualquer, sem saber que velho e sem saber vontade de quê. Mas tinha acordado com vontade, e isso já era pra sol e chuva e fogos de artifício. Acordou querendo, sem saber, os espólios da guerra que não ia dar tempo de lutar. Acordou antes do despertador e só conseguia pensar em se matar! Nada dá mais o gosto de uma coisa que a coisa toda oposta, já dizia o velho Tao. Ou não dizia? Isso que dá não ler o Tao. Mas o velho também não tinha lido e nem sabia que ele existia, mas queria se matar e era só em se matar que ele conseguia assentar sua vontade - em se matar, e não na morte, que é tão absoluta que nem deve ser o oposto de nada. Só que não queria se matar, e achando meio absurdo e meio clichê foi tentando expulsar a idéia dos bolsos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

primeira pessoa porque

A combinação
sorteada
De data, berço, esporro, malogro, presente, fratura, despejo,
[diploma, ensejo, moléstia
e 30 páginas de poemas de amor envelhecendo numa caixa
São como a
equação
que descreve um
ponto.

- E essa pretensão de dizer 'eu'?