Not ist nötig
- Hat der Lehrer
schon einmal gesagt.
Das verstehe ich gut
bis wann ich einmal sag':
Ich bin die Frau,
die alle Nöte hat.
sábado, 7 de agosto de 2010
Dindinha
Dindinha queria o biscoito na mão do tio, que sorriu pra ela e falou que não podia pegar, que tinha baba de gente grande, e todo mundo sabe que baba de gente grande é cheia de doença. Mas tinha também aquela carinha roliça de menina olhando pra ele, os olhos tomando quase todo o rostinho em forma de pergunta sem fim, e tinha um pacote cheinho de bolachas em cima da mesa, só esperando pra serem mordidas, babadas, derrubadas, pisoteadas e enfim esquecidas. E assim foi feito, como dizia sua avó. O tio tinha seu quadragésimo terceiro alumbramento de olhar Dindinha ser Dindinha, mal se equilibrando sentada no tapete em cima da bundinha gorda de fralda, fazendo um esforço do diabo pra orquestrar boquinha e mãozinha na tarefa diária de mordiscar bolachas - a tarefa mais crucial! A mais importante das tarefas mais importantes! Sim, e sem ironias, se exigia a existência toda de uma pessoa pra acontecer! O tio falou em voz alta pro pacotinho de existência incompreensível: 'Você nasceu com nome de música'. Ela o olhou enquanto derrubava outro teco de farelo empapuçado no chão, e ele sabia que ela tinha entendido. A porta abriu pra fazer o pai entrar, e a boca do pai abriu pra montar um sorriso alargado e dizer obrigado por cuidar da Dindinha e que agora estava tranqüilo porque tinha aberto poupança no banco pra garantir o futuro da pequena. Os dois no tapete olharam pro pai sem entender, e Dindinha não quis chorar, mas o tio quis. Só que não chorou, porque sabia que um dia Dindinha ia ter muitos cachos se enroscando num cabelo armado e ia ser o amor da vida de alguém.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Terças-feiras
Dentro do torso
O salto
infernal
de músculos e artérias e memória que dão de se contrair num susto
Sob os calcanhares
O salto
infernal
Diante do hiato
O salto
infernal
de alguém que - empurrado - não é por ninguém esperado
lá
do outro lado.
O salto
infernal
de músculos e artérias e memória que dão de se contrair num susto
[inevitável de corredor depois de, deuses todos, tanto tempo!!
Sob os calcanhares
O salto
infernal
que equilibra sem sucesso o eixo instável de todas as coisas que
E também daquelas outras que se imaginam sem fim e acabam num[começam e não são nunca terminadas
[grito sem som.
Diante do hiato
O salto
infernal
de alguém que - empurrado - não é por ninguém esperado
lá
do outro lado.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
A primeira vez
que, pernas bambas sobre o salto, me vi cercada de espelhos e de experiência que não era minha. Pés de tênis e asfalto e chuva agora enfiados numas sandálias sem respeito, que não cedem e nunca estão afim de conversar. Ou estão, e eu que não falo espanhol. Calça comprida e salto, na falta de um vestido aéreo e de modos de menina. Falta de modos, e de lábia para embrulhar as faltas. E como é fácil para os outros! Como é fácil ser os outros! Eles nasceram sabendo! Enquanto eu caminho truncada no tablado de madeira feito bezerro neonato, tentando fazer encaixar o abraço como mandam os outros, como fazem os outros - como diz a voz sem corpo que é feita dos outros!
O cismar com o arco dos braços, o ereto do tronco, o aberto dos passos - o cismar com a educação de um corpo montado a desencaixe não me deixa abraçar.
O preocupar-me com adornos e voleios - o preocupar-me com desenhos não me deixa abraçá-lo!
O apegar-me à marcação do tempo, à fluidez do corpo, à resposta ao movimento
- O apegar-me a saber viver sem ter vivido
não me deixa abraçar
o tango.
O cismar com o arco dos braços, o ereto do tronco, o aberto dos passos - o cismar com a educação de um corpo montado a desencaixe não me deixa abraçar.
O preocupar-me com adornos e voleios - o preocupar-me com desenhos não me deixa abraçá-lo!
O apegar-me à marcação do tempo, à fluidez do corpo, à resposta ao movimento
- O apegar-me a saber viver sem ter vivido
não me deixa abraçar
o tango.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Se eu acreditasse em destino, tinha o credo inveterado
Pois que você me chamou de andorinha
sem ler o livro
pra saber
que ela termina a estória
sem seu gato malhado.
sem ler o livro
pra saber
que ela termina a estória
sem seu gato malhado.
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